Dissertações e relatos de dois taberneiros sobre coisas mundanas...e não só.

26
Set 07

Não é a primeira vez (e certamente não será a ultima) que chega á minha consideração de “barman”, certos casos em que um dos elementos da equação chamada casamento ou relação, se deixa apaixonar por outro(a).

Em primeiro lugar eu não tenho estudos para ser reconhecido como “barman” e como tal reduzo-me á qualidade de taberneiro, orgulhosamente é certo, mas com a humildade o suficiente para reconhecer o meu lugar nesta rua que se chama Vida; em segundo lugar, tenho a ideia que este aparente paradoxo, parte de uma forma errada de rotular todo o sentimento inerente a uma relação entre duas pessoas de sexo diferente, e que em determinada altura se acompanham na vida.

 

Não acredito no amor, pelo menos sob a forma que a sociedade o concebe.

 

Sei que é algo polémico da minha parte deitar ao chão tão altivo, digno, idolatrado, inspirador, famigerado, faustoso, motivador (etc. …) e muito desejado sentimento, mas tenho as minhas razões (ficará para uma outra ocasião a dissertação sobre as mesmas…), e uma delas é-me dado ao raciocínio por estes casos tão em voga nos dias que correm.

A verdade é que facilmente se confunde amizade, desejo e intimidade, com amor. E como o amor é fiel a uma só pessoa (dizem), as mentes mais incautas e distraídas tende a perder-se num labirinto de interrogações do género – “Como posso amar duas pessoas ao mesmo tempo???” – e ao que eu respondo – “Claro que se pode!!!”.

Se esquecermos por momentos que o sentimento “amor” existe, facilmente descortinaremos que tanto a amizade, desejo e intimidade podem ser sentidos por varias pessoas ao mesmo tempo, certo?

A fidelidade amorosa é meramente um conceito que se apoia num acordo baseado no respeito por um compromisso assumido e habita em nós, e não exteriormente.

A fidelidade a uma esposa, namorada, ou companheira é a projecção de um respeito por este conceito que é regulamentado pela sociedade em que estamos inseridos.

O amor é um fantasma, uma miragem, que dá a conhecer traços da sua forma mas que nada revela de concreto quanto á sua figura verdadeira…e eu não acredito em fantasmas, lamento.

Expomo-nos no mundo através das nossas palavras e das nossas acções, e por estes traços somos identificados como isto ou aquilo…e os pensamentos? Essa subtil e tão pouco densa matéria que faz parte de todo o ser, será fiel? Venha o aldrabão e atire a primeira pedra pois nunca prevaricou com o pensamento…

 

- “Tens uma assustadora lógica Inocêncio, mas não sei bem porquê parece fazer todo o sentido…sinto-me enganado, traído por mim próprio, entendes?” – Exclamou ele.

 

- Agora que viste a verdadeira forma do fantasma, o medo desaparecerá e poderás ver as tuas emoções sem amargura e goza-las em pleno. Podes ir, esta caneca é por minha conta…aquele abraço fraterno e confuso amigo.

            Inocenciodasilva
publicado por Inocêncio da Silva às 14:40

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