Dissertações e relatos de dois taberneiros sobre coisas mundanas...e não só.

06
Fev 08

Não pude deixar de escutar a prosa de duas senhoras que se abeiravam deste balcão, encostadas a uma qualquer pinga que lhes ia servindo sempre que me era solicitado…

Aparentemente relatavam banalidades das suas ocupações, acompanhadas por galhofa e regadas com o que eu aqui vou servindo…portanto, nada de anormal!

 

A dado paragrafo, e enquanto eu limpava uma qualquer caneca de ferro plenamente absorto por tal tarefa, escuto por parte de uma das jovens senhoras a seguinte afirmação que me fez despertar de tal inércia:

 

“…desde que ele me trate bem o suficiente, pode trair-me que eu nem me importo muito!”

 

Ora, tal frase fez tilintar algo em mim… não é sempre que ouvimos uma mulher dar a conhecer a chave da excepção para algo tão sagrado … a (in) fidelidade!

 

Agora que as moças saíram dou comigo a remoer aquela frase, e unindo a minha audição ás minhas lembranças e práticas, vejo aproximar-se no horizonte do meu entendimento uma caravela cuja silhueta se vai deixando desenhar…

Ao que me foi dado a depreender segundo as palavras daquela moça, desde que lhe seja nutrida a luxúria, o seu respectivo companheiro pode apunhalar o relacionamento que têm, com um relativo consentimento e conivência da mesma.

Achei fascinante esta abordagem na medida em que dá a conhecer o peso destes distintos aspectos que fazem parte de uma relação – fidelidade e atenção – tendo as mesmas, alguma afinidade.

Não posso de deixar de pensar que a possível traição, devidamente encapotada sob um manto de agrados e prendas, consiga ocultar totalmente a cauda do embuste…mas ao que parece “…não parece que se importem muito!” desde que lhes atulhem a barriguita de oferendas e afins, o sono que se avizinha adormece os sentidos a um ponto que tudo aparenta ser normal e aceitável…

 

Há excepções é certo, há mulheres cujo peso de um e de outro valor é diferente daquele que eu dou a conhecer nesta narra, mas hoje não me apetece falar sobre as ressalvas…estou demasiado interessado nesta oferenda, além de não ser todos os dias que as mulheres deixam escapar alguma informação deste calibre! 

Inocêncio da Silva

publicado por Inocêncio da Silva às 13:03

Bem... Eu, como mulher que sou, acho que este exemplar da espécie não deveria ser a regra. Digo não deveria, pois admito que muitas de nós aceitam traições. Acho que não pelo motivo citado, mas por dois extremos: O amor e a indiferença.
Mas não serão os homens iguais?
Tasha a 7 de Fevereiro de 2008 às 09:40

Cara Tasha, os homens NÃO aceitam traições!
Acham-se fortemente atingidos na sua masculinidade e orgulho
quando são alvo de algo que entre iguais é amplamente procurado...

Resumindo: não admitimos traições por parte da nossa respectiva, mas pelamo-nos por uma confusão com uma mulher alheia.

...não é algo de que orgulhe como homem que sou, mas isto sou eu que tenho alguns valores.

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