Dissertações e relatos de dois taberneiros sobre coisas mundanas...e não só.

01
Out 07

Num tempo que já lá vai, havia um cego que tinha um amigo que morava numa aldeia vizinha.

Um dia, e depois de comer, fez-se ao caminho atravessando o arvoredo que separava as duas aldeias. A casa do seu velho amigo fica no centro da aldeia, e após alguns enganos e outros tantos pedidos de indicações depois, lá se abraçaram os dois aliados.

Comeu-se bem, bebeu-se melhor e conversou-se sacramente…enquanto caía a noite sobre a terra sem que os dois amigos se dessem conta disso… 

Aquando a despedida do cego homem ao seu amigo, este lembrou-se de algo:

-Leva esta lanterna caro companheiro, pois está noite cerrada. – Disse, enquanto lhe estendia uma lanterna de vidro com uma vela acesa no seu interior.

-O vinho deixou-te o entendimento lá dentro caro amigo, não vês que de nada serve uma lanterna a um cego? – Retorquiu o cego esboçando um alegre sorriso.

-Não é para que vejas o caminho, mas sim para que te vejam a ti! – Exclamou o amigo, ostentando um sorriso também ao aperceber-se do caricato daquela situação.

 

…E lá segui o cego, trilha fora, em passo tranquilo e de lanterna em riste sob uma noite sem lua.

A dada altura alguém esbarra com o cego, fazendo-o cair…

Amável e cuidadosamente o estranho ergueu o cego do chão pedindo-lhe tantas desculpas quantas o cego autorizou. Ao recompor-se, o cego pergunta ao estranho:

- Então homem, não me viu? Não viu a minha lanterna?

Ao que o estranho responde:

- Bom homem, a sua lanterna apagou-se… “

 

 

 

Moral da estória:

 

Não vale de muito dar luz a quem simplesmente não vê!!!


 

Inocenciodasilva
publicado por Inocêncio da Silva às 19:01

...como diz o outro "o pior cego é aquele que não quer ver "..
tattoogirl a 1 de Outubro de 2007 às 21:09

Por muito boa que seja a intenção, ou por muito pratica que seja a ideia parece que por vezes o Universo não conspira a nosso favor...e mais vale deixar como está.

Estas aventuras na floresta não costumam dar boas colheitas...
Curto,mas muito EMPREENDEDOR!


Viva a boa caneca!!!!!!!!!!!!!!
KAIKAS a 1 de Outubro de 2007 às 23:12

Efectivamente, das matas nem bom vento nem bom casamento................ou seria de Espanha, não sei!!!

directamente da Covilhã para os meus "taberneiros" com amizade...por vezes ñ se trata de dar ou tirar a luz...há quem consiga achar o caminho no meio do escuro e das trevas mas infelizmente há certas alturas na nossa vida em q precisamos de uma luz divina, de uma luz amiga q nos faça guiar a um bom porto, é nessas alturas q se vê a verdadeira amizade, são essas pessoas q nos fazem seguir em frente...Eu acho q devemos dar sempre uma luz a alguém, essa pessoa deve ter sempre uma segunda oportunidade para se reencaminhar na vida, tu sabes melhor q ninguém q sim, e eu tb já a precisei de a ver ao fim do túnel.
Aquele abraço
darta a 4 de Outubro de 2007 às 13:38

Obviamente que sim, caro confrade...
Mas o propósito desta rabula é alertar para a predisposição que cada tem, independentemente do tempo ou espaço, para ver ou mesmo aceitar a luz...

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