Dissertações e relatos de dois taberneiros sobre coisas mundanas...e não só.

20
Set 07

Tenho uma leitura espalhada na tábua do balcão…óculos suspensos na ponta da pródiga penca, legado do meu virtuoso progenitor. Debruço-me sobre a dita e sobre o lance que vejo para lá do véu feito de silhuetas, que me separa do casal que se acomodou na mesa mais recôndita que temos na casa…

Ele, na casa dos vinte e poucos, pleno de vigor e virilidade mas algo inexperiente nestas coisas das conquistas;

Ela, mulher acima das trinta primaveras, com toda uma vida de amores e desamores, irreverência e arrojo.

 

Esta relação algo estranha entre duas criaturas com esta divergência de idade, habita o imaginário dos mais incautos mancebos.

Qual o jovem que nunca ambicionou ser abatido por uma mulher mais velha?

 Esse desejo aparece logo após as primeiras voltas no carrossel do sexo, e vem de uma insatisfação relativamente á pouca frequência das “voltas” e da velocidade das mesmas…motivado pela verdura deles (incautos mancebos) e das suas companheiras de relação, muitas das vezes também inexperientes.

Ele espera desta distinta e tão ambicionada dona, alguma audácia, algum arrojo, algum desprendimento dos preconceitos marcadamente moralistas, mas sempre com a convicção de que tem a situação sob o seu controle, sob a sua alçada…mas está enganado.

Tem uma ideia preconcebida sobre a dita relação, e prepara-se física e psicologicamente para a primeira volta no supracitado “carrossel”…tudo controlado, tudo estudado, tudo planeado…mas não sabe o que o espera!

A verdade é que, aparentemente, este jovem conquistou algo que outros tentaram e falharam. Sente-se algo aparte, mais elevado do que os demais, até porque tem nas mãos o troféu que outros tentaram alcançar…ironicamente quem foi “caçado” foi ele, e sem que desse conta disso.

São predadoras na forma de actuar, e dão a entender que estão “feridas”  deixando os pseudo predadores rondar as suas feridas, e depois de escolhido o alvo…acabam aqui na nossa taverna, a temperar a carne fresca e tenra que vão consumir por algum tempo…e ele nem se apercebe do “perigo”.

O “perigo” a que me refiro, está situado entre quatro paredes e desprovido de farpelas, e será quando o incauto mancebo se irá aperceber no buraco em que se enfiou. Sem escapatória, bem pode amarinhar pelas paredes que nada o safará de uma valente “tareia” que ficará na sua memória para o resto da sua vida.

Uma mulher acima de certa idade, não tem mais nada a provar a quem quer que seja, alem de já duramente ter constatado o quanto inútil é tal demanda. Pegando nesse desprendimento, leva-o para a cama juntamente com alguém, e busca o prazer onde sabe que ele se esconde…conhece o seu corpo bem demais e tal tarefa não será intricada.

 

 - Um aviso á navegação…se já fizer algum tempo desde a ultima vez que o padeiro passou na rua desta senhora, o melhor é arranjar uma forma dela soltar algum vapor (tipo no carro ou num sitio publico), ou arriscam-se a que o vosso amiguinho não vos dirija a palavra durante dois ou três dias…

 

Apesar, e como referi á pouco, de se tratar de algo com características de mito, tenho tido oportunidade de constatar que se trata de algo muito comum nos dias que correm.

O silêncio a que se remetem estes "putos", só é quebrado passados alguns anos, recordando com doce nostalgia o dia em foram “comidos” ao invés de “comer”, passo a expressão.

Na verdade, anda por estas ruas fora, muito catraio que foi desflorado por “cotas”, uns mais do que outros, de forma traumática ou não, á força ou a favor (não disse que sim mas também não disse que não…), e que guardam este caloroso episodio, com alguma ternura e saudade…

 

- Levantaram-se…estão de saída. Já são horas de recolher e forçosamente terão que se ir deitar…agora se é hoje que o predador tem o seu festim, não sei.

Assombra-me a nostalgia de um dia ter dado aqueles passos que agora vejo outro dar a caminho da incerteza, do desconhecido, do nervoso miudinho…e para nunca mais voltar a ser o mesmo. –

 

Inocenciodasilva
publicado por Inocêncio da Silva às 19:18

Ahhhh...meninos de vintes..na flor da idade..fresquinhos ,fresquinhos...come to mummy...
Mas para falar a verdade prefiro-os um bocadnho mais maduros...manias..
tattoogirl a 20 de Setembro de 2007 às 20:33

Há vários pratos para os mais variadíssimos gostos...tudo depende da pontaria, se é que me faço entender.
Inocêncio da Silva a 21 de Setembro de 2007 às 13:22

...e eu tenho péssima pontaria...
tattoogirl a 21 de Setembro de 2007 às 20:15

Na minha opinião tu tens excelente pontaria...(e mais não digo...)

If only ....
tattoogirl a 22 de Setembro de 2007 às 23:41

Cada altura,cada momento,cada dia,cada hora...com tanta diversidade temporal difícil seria não encontrar diversidade feminina!
Insconscientemente encontrar uma MULHER mais velha em tão tenra idade apenas causa a ILUSÂO de que estamos "maduros"...
senão,fica a pergunta: -afinal quando nos sentimos "maduros" porque é que andamos na conquista das mais "tenras"
AH,POIS É!!!!!!!!!!!!!!!
KAIKAS a 25 de Setembro de 2007 às 16:03

Brilhante como sempre...

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