Dissertações e relatos de dois taberneiros sobre coisas mundanas...e não só.

08
Set 08

Boas noites e abençoados são os ventos que te guiam de volta a esta minha humilde taverna…

 

Gostaria de compartilhar contigo, caro confrade, uma dissertação minha sobre a condição de cada um e da abordagem de que por vezes somos alvo, inspirado unicamente por essa mesma condição.

A meu ver, uma alma que tenha por ofício uma qualquer arte, desde que modesta, é muitas vezes abordada de forma violenta e sem cautela, por parte de quem se veja interessado em trocar alguns fluidos com o tal “humilde funcionário”, sem qualquer respeito pela sua sensibilidade ou susceptibilidade.

Tendenciosamente, vejo-me a “lançar a rede” de uma forma brusca e, por vezes, imprópria e indelicadamente a uma qualquer funcionária, apenas e somente devido a esta ser de simples trato e labor. Sou levado a (erradamente) concluir que devido á sua fraca condição laboral, será também de fácil agrado e pouca disputa dará na esgrima da conquista, caindo facilmente nas garras de um qualquer galanteio de circunstância lançado ao vento por um lobo disfarçado de ovelha!

Por hora deste parágrafo tu, confrade amigo, já terás concluído que não falo verdadeiramente da minha simples pessoa, mas sim de todo um povo…

 

Aprendi a reconhecer este fenómeno no dia que fui alvo do mesmo, e lembro-me de uma sensação algo desaprazível e incómoda. Do pensamento ao vocábulo foi um tiro, e por hora do quinto ou sexto ultraje, já o alvo da minha cólera tinha saído pela porta fora…a passo largo!

 

Em verdade te digo que, tanto nas prendas de Natal como nos rabos de saia (ou rabo de calças…), um homem (ou mulher) tende a avaliar o conteúdo do mesmo de acordo com o embrulho. Este “embrulho” é apenas uma metáfora que uso para a forma de rotular quem á nossa frente se apresenta, e é algo que inevitavelmente aprenderemos a abandonar ao longo da vida.

O tamanho ou mesmo as ilustrações estampados no mesmo são algo que serve apenas para agradar numa primeira abordagem mas o que verdadeiramente dá cor ao ser é o seu íntimo, o seu âmago.

Intimo esse que se descobre a cada passo, a cada minuto, conquista-se a mão na mão, o beijo arrojado ou a simples palavra de contentamento.

É todo um processo que vai crescendo no tempo…e dentro de nós, também!

Requer arte, empenho, cedência, respeito, compreensão e uma total entrega.

Damos por nós e passou uma vida…

E será uma vida tempo suficiente para conhecermos alguém verdadeiramente?

Uma pessoa é uma vida, não é um minuto!

 

Deixo-te este conselho confrade amigo: trata uma rainha como uma plebeia, e uma plebeia como uma rainha…os resultados são espantosos, palavra de Inocêncio da Silva.

 

Bem-haja.

 

Inocêncio da Silva

publicado por Inocêncio da Silva às 13:11

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