Dissertações e relatos de dois taberneiros sobre coisas mundanas...e não só.

13
Mar 11

O meu dia são os meus pensamentos...

e eu só penso em ti, meu anjo.

E quanto mais te penso, mais te amo...

Como se a minha vida fosse apenas tu...e este amor que tenho e penso.

 

Inocêncio da Silva

publicado por Inocêncio da Silva às 16:33

27
Jul 09

Boas noites e bons ventos…

 

Estava o tempo quente e abafadiço…

 

Resolvi-me a vir fumar um paivante feito á mão á porta da taverna. É um prazer que tenho, um dos poucos infelizmente, portanto não me digam que é um vício lastimoso…estarão a tentar tirar um pouco da paz que os dias ainda me vão guardando!

Era domingo, cerca das três e qualquer coisa da tarde, e as gerações trajavam farpelas e semblantes a condizer com a circunstância – a benta volta de Domingo tão tipicamente portuguesa.

O panorama fedia a rectidão e a moralismo com personagens a condizer dentro das suas inestimáveis viaturas motorizadas, impecavelmente limpas…

Seria uma tarde tão aborrecida e fastidiosa como qualquer outra tarde de Domingo, não fosse o episódio que agora vos vou passar a narrar que, infelizmente, revela muito de nós como povo, raça e alma.

Não me interroguem como, nem porquê, ou tampouco onde mas, numa praça ou largo, de forma circular, onde desembocam várias ruas e o trânsito se processa em sentido giratório, vulgo rotunda, no centro da minha vila, dois indivíduos lançam-se numa cena de pugilato merecedora de um qualquer clássico da ESPN. Figuradamente, terá sido devido a uma qualquer lerda contenda sobre preferências de espaço no panorama que se intitula de “trânsito urbano”, e que tantas historias tem feito brotar nos matutinos deste nosso pais, muitas delas com desfechos deveras deploráveis…

 

Dois indivíduos esmurravam-se violentamente no centro da arena redonda, sem árbitro, sem regras, sem que ninguém se honrasse a interromper tal representação.

 

Ninguém…

 

Seria com temor de arrasar uma brilhante historia para contar aos amigos lá do café, aos companheiros de trabalho, mas a verdade é que ninguém avançou. Sim, porque a segunda-feira era já a poucas horas e sempre dá para entreter a malta, passando uma ideia de “acção” sobre o fim-de-semana que tinha findado! Ou quiçá, mostrar às crianças um exemplo vivo e a cores dos perigos do nosso tempo, remetendo-nos ao papel de meros espectadores. A realidade supera sempre a ficção, portanto…

 

- “Com a breca! Mas será que não há uma alma que lá vá terminar com a coisa?” – interroguei-me.

 

Do meio da multidão, um sujeito surge a correr em direcção á cena em questão…

- “Vá lá! Finalmente!” – exclamei para comigo, mas tendo terminado este meu pensamento o suposto salvador agride um dos indivíduos, passando a ocorrência a ser “dois contra um”…

 

Lancei o paivante pelo ar e lanço-me a passo largo, larguíssimo, o mais largo que consegui em direcção a algo que vai contra tudo o que afianço e de encontro a tudo o que repugno.

Tantos fidalgos e patroas, tão correctos e veneráveis, acompanhados pelas suas probas linhagens, emanando grande ética e fortes princípios, e ninguém se moveu perante tal acontecimento…Meu Deus!

Entrementes, as atenções foram afastadas da cena pelo som estridente de pneus a derrapar sobre o asfalto para um veículo que acabara de se imobilizar junto á “arena”, e de dentro da mesma, um jovem trajando um pólo vermelho e um boné preto corre em resgate de um homem que jazia no chão abrasado por uma saraivada de socos e pontapés, sob os olhares cobardes de dezenas de pessoas.

Num só movimento resgata o homem do solo e arremessa os outros dois por terra, colocando-se entre os agressores, berrando palavras de ordem.

 

- “Um rapaz das pizzas!” – sorri eu ao reconhecer a farda que ostentava.

 

Ainda ouve uma tentativa de agressão por parte de uma das facções. Confesso que vi uma lâmina brilhar sob o sol daquele maldito Domingo, mas o puto não ia permitir mais escaramuças…não enquanto ele ali permanece-se!

 

A lamina desapareceu, assim como os personagens daquele cena digna de um filme de acção, ficando apenas na arena redonda o rapaz das pizzas…sozinho.

Quem passou depois de todo este espavento, apenas viu o puto das pizzas sobre a relva da rotunda, ficando com a ideia de que o rapaz não estava bom da tola…

 

De todas as almas que passaram por aquele ponto (e foram bastantes), apenas uma se deixou tocar pela barbara tela que se desenhava naquele sitio ao ponto de avançar estoicamente sobre a mesma.

Não se passeava como a maioria das outras gentes…laborava. No dia que Deus reservou para o descanso, este homem laborava em desrespeito desta directiva Suprema, mas honrando uma conduta que, a meu ver, o resgata deste forçado incumprimento

 

Que sentimento anima a alma da gente deste meu tão amado Portugal, o que é que nos move e o que é que nos prende.

Teremos mais medos que coragens, e se assim for, onde se esconde o povo valente e imortal? Trabalha numa pizzaria, ou num outro local que, lamento dizê-lo, pouco dignifica a nossa grandeza e opulência.

Tenho plena noção da complexidade deste mote e como tal abstenho-me de tecer mais comentários de cariz pessoal sobre o mesmo mas, de algo tenho íntegra fé, estou sujeito a que algo do género que acabei de relatar possa acontecer comigo, e como tal, rogo aos Santos que ocasionem a passagem de um “rapaz das pizzas” ou de um outro do mesmo calibre nessa hora de aflição, entregue ele pizzas ou não.

Aterroriza-me pensar-me num cenário igual e ser espezinhado sob o olhar impávido de dezenas de conterrâneos, desfalecendo lentamente na esperança que alguém me venha valer naquela hora…

 

- “Que Deus te proteja, “rapaz das pizzas” assim como tu vedaste a saúde de outros quando mais ninguém o fez”.

 

 

Inocêncio da Silva

 

 

P.S. Todo este incidente deu-se a escassos 30 metros da Esquadra mais proxima.

 

publicado por Inocêncio da Silva às 21:25

25
Mai 09

Porque muitas vezes sou aquilo que preciso ser e não aquilo que verdadeiramente sou, ou mereço ser...

Porque por vezes a verdade não é suficiente para recompensar a fé das pessoas que me acompanham...

 

Apenas e somente por isso...eu minto.

 

Inocêncio da Silva

publicado por Inocêncio da Silva às 16:30

08
Mai 09

Boas noites e bons ventos…

Tarde vai a hora em que este mariola se lembrou de voltar a assomar á janela desta nossa serena taverna. Tem andado sabe-se lá por onde…

publicado por Inocêncio da Silva às 17:03

04
Nov 08

…”Tive que recusar Inocêncio, tenho muito em jogo! Tu sabes a minha vida!

 

“E ela, como está a reagir agora?”

 

“Aparentemente parece ter aceite…finalmente! Mas ainda lança alguma ironia e escárnio dúbio por sms…”

 

“Ainda bem probo amigo, ainda bem…”

 

“Até amanha Inocêncio.”

 

 “Até amanha Marialva…” exprimo eu enquanto solto algumas gargalhadas!

 

…e saiu pela porta desta taverna noite dentro!

 

 

Boas noites e bons ventos…

 

Sinto-me na obrigação de pedir perdão por não ter voltado prontamente os meus préstimos a ti, confrade amigo, mas estava de ouvido aguçado escutando o episódio que este velho amigo, que agora saiu, me narrava!

 

Contava-me ele que foi desafiado por uma dama para uns embrulhanços e amassos durante o tempo livre de ambos que, por vezes, iam tendo…

Ora este desafio não traria nada de inovador e/ou bicudo se este meu confrade e amigo fosse um intrépido e aventuroso jovem solteiro…o que não é o caso!!!

Na verdade estou a falar-vos de um homem casado, com descendência, e com uma vida organizada nesse sentido, mas por força das circunstâncias viu-se levado a se expor a alguns ambientes onde, por vezes, um tipo seguro, confiante, inteligente e eloquente é tido como algo muito apetecível e desejado.

A condição social e pessoal dos espécimes que frequentam os ambientes de que falo, muitas das vezes é ignorada pois fica fora de portas, logo “longe dos olhos, longe do coração…perto do desejo alheio!” – esta máxima é uma das mais populares e usuais nos supracitados ambientes.

 

Segundo ele, e logo após se ter apercebido da investida da jovem, tentou demover o sentimento que a movia na sua direcção, e ostentando a sua melhor linguagem no debate, mostrou-lhe (ou tentou…) que a sua condição não lhe permitia certos comportamentos e aventuras.

Prontamente foi-lhe dado a conhecer que as condições em que se dariam as “refregas” seriam em ambiente de conjura, e longe de olhares curiosos pois na condição em que ela própria se encontrava, este tipo de comportamento é condenável…resumindo: era comprometida também! Fez questão de lhe assegurar que não poderia haver sombra de dúvida relativamente aos parâmetros que guiariam esta relação: era uma relação de desejo físico apenas, de acordo com a agenda de cada um, e que existiria o tempo que democraticamente, e após referendo, seria determinado para a mesma.

Resumindo: duraria enquanto fosse bom, desde que houvesse disponibilidade!

 

O nosso confrade congelou sob estas palavras…

 

Achou-se moralmente obrigado a declinar tal convite…fora apanhado desprevenido e encontrava-se algo abalado com a situação. Precisava de algum tempo e espaço para digerir a ocorrência. Sabia que ela (a moça) voltaria á carga assim que possível, logo não se preocupou muito com a ineficácia deste primeiro “não”, pois pretendia apenas tempo para ponderar…

 

Acho pertinente dar a conhecer um pouco da psique masculina no que diz respeito a estes assuntos, caro confrade…

Este tipo de “aventura” (ou o culminar da mesma) é o que move qualquer homem casado, acima dos trinta, com uma vida relativamente monótona ou insípida. Na verdade, algo deste calibre está entre os mais bem cotados troféus que um homem nas condições que acabei de descrever, poderá aspirar a ter na prateleira das conquistas sobre “terras cor-de-rosa”. No entendimento de certos espécimes masculinos este episódio é algo que habita o seu imaginário mais íntimo, e será desnecessário dizer que pensar sequer em recusar, é só por si, um pecado capital.

Adiante…

 

…o nosso confrade sabia da responsabilidade que tinha nos ombros, e começava a sentir-se algo encurralado. Sempre que tentava esgrimar algum argumento baseado nalgum bom senso, era prontamente contra-atacado pela segurança e à-vontade que a moça demonstrava nestas questões de infidelidade!

Como já se passara algum tempo, o nosso probo amigo – já sem argumentos validos, e a começar a por em causa a sua masculinidade – começava a cometer alguns erros e a entrar em contradição em alguns dos seus discursos.

  Era a oportunidade que a predadora precisava para desferir os golpes mais profundos de que dispunha no seu arsenal…

 

Não…não…e não!!!

 

“Mas porquê, qual é o teu medo?” perguntou ela a dada altura.

 

“Não é medo…são princípios. Há um ponto o qual eu não ultrapasso pois nunca mais poderei regressar…lamento!” falou desta forma o coração do homem.

 

O peso que tinha no peito desapareceu na bruma que era a sua vida nesse momento, e o sol voltou a brilhar…mas não por muito tempo!

 

Aparentemente ele tornara-se em algo que nunca ambicionara ser: Aquele que recusou.

Era agora um fruto não só proibido mas também raro, logo a luta tinha apenas começado. Os ataques tornaram-se mais ousados, mais arriscados, e o suposto secretismo que a moça tanto desejava para a desejada relação estava seriamente comprometido...

A situação começava a tomar os contornos de tragedia até que ele, pondo de lado parte das suas marcas mais distintas, avançou estoicamente na direcção da responsável pelo inferno que se tornara a sua vida, e armado com palavras fortes e duras deu a conhecer o que lhe ia na alma.

 

Tinha se sentido lisonjeado por ter sido “escolhido” por tão formosa dama para um relacionamento amoroso…este sentimento tinha sido substituído por desonra.

Sentia-se ofendido por ter sido rotulado como “mais um”, e quando lhe mostrou que não o era, esperava apenas reconhecimento por parte dela, e não desdém.

Pensava que o sentimento que a movia na sua direcção era minimamente nobre, mas na verdade ela não tinha intenção de o respeitar, pois também não respeitou a sua escolha quando recusou o “embrulhanço”…

 

 

Concluo algo: um “não” é sempre um “não”, seja oficialmente ou oficiosamente, seja de dia ou de noite, seja na “saúde e na doença” ou apenas “entre lençóis”…

O “não” é raro e inconclusivo dentro desde enquadramento.

Negar este tipo de desafio é hoje, para a sociedade actual, algo inconcebível, e todo aquele que ousar invocar tal palavra é bom que tenha noção da dimensão da aventura a que se lança.

 

“No reino da terra e da carne tudo o que negares virá até ti, e tudo o que aceitares te fugirá.” Disse um dia alguém…

 

 

Inocêncio da Silva

 

publicado por Inocêncio da Silva às 13:43

24
Out 08

Tenho a estranha sensação que estou a ficar velho, pois os dias pesam-me cada vez mais!

Os meus dias têm 20 horas uteis.

Logo, tenho muito para contar.

Logo, deveria ter muito para expor aqui.

 

...e como é obvio, não tenho tempo para nada.

 

Enfim!!!

 

 

Inocêncio da Silva

publicado por Inocêncio da Silva às 19:18

01
Out 08

Boas noites e bons ventos…

 

Olho pela janela que dá para o pátio onde está plantada esta nossa humilde taverna, e constato que o Outono espreita pela mesma como se quisesse entrar também…

O Verão está de partida e com ele a infame apatia que contamina tudo e todos, fazendo-nos sorrir aparvalhadamente por simplesmente ser Verão!

Mas adiante que a Lua já vai alta…

 

Hoje venho-vos falar de uma vil criatura que tem por habito assombrar as mentes femininas, desde que comprometidas…

Ao contrário dos Anjos a “outra” tem sexo (ou género, como acharem melhor) e um arcaboiço invejável (ao nível da Esfinge, não sei se estão a ver a coisa?) pois leva ás costas um fardo digno de Hércules…

 

A “outra” é segundo a língua Portuguesa um pronome demonstrativo em termos gramaticais, mas não será deste aspecto que da “outra” vos falarei nesta dissertação!

 

Oiço amiúde por portas e casais “ah e tal, tens outra!” ou ainda na versão interrogativa (para os mais inseguros) “ah e tal, tens outra?”. Tanto num caso como outro constato que a “outra” é sinónimo de “amante”, isto é, o respectivo anda a merendar em quinta alheia!

Sempre que as coisas não navegam em mares de tranquilidade oiço as “respectivas” acusarem os “respectivos” de manterem uma relação extraconjugal com outra mulher, agravando-se a situação quando o regresso a casa do emprego começa a ser feito mais tarde, ou os gostos musicais, teatrais, gastronómicos, sexuais, etc. mudam sem aparente razão dita valida e/ou fundamentada. Resumindo: quando a conduta do respectivo sofre algum tipo de alteração, a mesma deve-se á “outra”.

O que acho caricato é que o argumento “outra” serve para uma série infindável de situações e circunstancias, algumas até que desafiam as leis da física ao ponto de alguém (o respectivo amo da “outra”) ter o dom da ubiquidade e estar presente em mais que um local ao mesmo tempo, incrível…

 

Minhas caríssimas amigas;

Não deixem que a revolta vos tolde a vista pois este mui humilde taberneiro tem presente que este episodio pode e dá-se no sentido inverso, menos significativamente mas acontece, é certo…

Agora que penso me ter redimido perante vós, arrisco dar-vos um auspício:

Tanto o trabalho acumulado como o trânsito têm o poder de nos fazer chegar a casa mais tarde.

Com o passar dos anos, desde que o alvo deste meu ponto de vista tente se manter minimamente actualizado, nós homens mudamos alguns comportamentos com o intuito de acompanhar os tempos, e não somente por ter alguém fora de portas.

As pessoas mudam, ponto! Não existe ninguém que se mantenha imutável no tempo e no espaço.

Lá diz o ditado “Enquanto os flexíveis galhos do Choupo se dobram sob o peso da neve lançando-a no chão, os do Carvalho resistem estoicamente acabando quebrados.”

Assim é nas árvores… e nos Homens!

 

 

Inocêncio da Silva

publicado por Inocêncio da Silva às 13:58

08
Set 08

Boas noites e abençoados são os ventos que te guiam de volta a esta minha humilde taverna…

 

Gostaria de compartilhar contigo, caro confrade, uma dissertação minha sobre a condição de cada um e da abordagem de que por vezes somos alvo, inspirado unicamente por essa mesma condição.

A meu ver, uma alma que tenha por ofício uma qualquer arte, desde que modesta, é muitas vezes abordada de forma violenta e sem cautela, por parte de quem se veja interessado em trocar alguns fluidos com o tal “humilde funcionário”, sem qualquer respeito pela sua sensibilidade ou susceptibilidade.

Tendenciosamente, vejo-me a “lançar a rede” de uma forma brusca e, por vezes, imprópria e indelicadamente a uma qualquer funcionária, apenas e somente devido a esta ser de simples trato e labor. Sou levado a (erradamente) concluir que devido á sua fraca condição laboral, será também de fácil agrado e pouca disputa dará na esgrima da conquista, caindo facilmente nas garras de um qualquer galanteio de circunstância lançado ao vento por um lobo disfarçado de ovelha!

Por hora deste parágrafo tu, confrade amigo, já terás concluído que não falo verdadeiramente da minha simples pessoa, mas sim de todo um povo…

 

Aprendi a reconhecer este fenómeno no dia que fui alvo do mesmo, e lembro-me de uma sensação algo desaprazível e incómoda. Do pensamento ao vocábulo foi um tiro, e por hora do quinto ou sexto ultraje, já o alvo da minha cólera tinha saído pela porta fora…a passo largo!

 

Em verdade te digo que, tanto nas prendas de Natal como nos rabos de saia (ou rabo de calças…), um homem (ou mulher) tende a avaliar o conteúdo do mesmo de acordo com o embrulho. Este “embrulho” é apenas uma metáfora que uso para a forma de rotular quem á nossa frente se apresenta, e é algo que inevitavelmente aprenderemos a abandonar ao longo da vida.

O tamanho ou mesmo as ilustrações estampados no mesmo são algo que serve apenas para agradar numa primeira abordagem mas o que verdadeiramente dá cor ao ser é o seu íntimo, o seu âmago.

Intimo esse que se descobre a cada passo, a cada minuto, conquista-se a mão na mão, o beijo arrojado ou a simples palavra de contentamento.

É todo um processo que vai crescendo no tempo…e dentro de nós, também!

Requer arte, empenho, cedência, respeito, compreensão e uma total entrega.

Damos por nós e passou uma vida…

E será uma vida tempo suficiente para conhecermos alguém verdadeiramente?

Uma pessoa é uma vida, não é um minuto!

 

Deixo-te este conselho confrade amigo: trata uma rainha como uma plebeia, e uma plebeia como uma rainha…os resultados são espantosos, palavra de Inocêncio da Silva.

 

Bem-haja.

 

Inocêncio da Silva

publicado por Inocêncio da Silva às 13:11

29
Ago 08

 

A verdade é que voltar a estudar tem muito que se lhe diga...
O tempo que nos leva não é nada comparado com o que nos exige...
...mas é enaltecedor, disso não tenho a mínima dúvida!

O ambiente é quase mágico, roçando o imaginário, tanto é que todos nos sentimos mais jovens, mais audazes e destemidos pois o mundo parece estar outra vez a contar connosco para o moldar.

 

Isto de estudar de novo trás também algo que achei engraçado – pseudoamnésia.

Passo a explicar: nos primeiros tempos dão-se a conhecer as vidas profissionais, privadas e amorosas, resumindo: põem-se as cartas na mesa!

Logo a seguir (e muito depressa diga-se…) formam-se os grupos que são os precursores dos casais que passarão a existir no 2º semestre!

A amnésia surge agora em cena…

Quem olha para os casais de namorados que mais parecem passarinhos a preparar o ninho nos carros deste e daquele aluno, desconhece que a rola ou pombo já tem pombal, isto é, na grande maioria dos casos observados por este vosso amigo um dos intervenientes ou até ambos têm compromisso assumido fora do ensino, não sendo este facto motivo o suficiente para os arredar do paraíso das emoções que são as paixões escolásticas, com cadernos como almofada, enfim…

Esquecem-se as vidas quotidianas e veste-se a pele do adolescente.

 

O 2º ano prepara-se para entrar em cena, e tenho sérias duvidas que deixe o seu crédito por mãos alheias…dentro deste contexto, é claro!

 

P.S. Devo um pedido de desculpa a todos os que teimosamente regressam a este espaço mesmo que nada de novo eu tenha para contar. A verdade é que este último ano foi mais duro do que aquilo que eu podia imaginar, e como tal encontro-me a recuperar energias para os dias que se avizinham.

Perdoem este vosso amigo taverneiro que peca apenas por estar cansado… 

 

Inocêncio da Silva

publicado por Inocêncio da Silva às 21:48

23
Jul 08

Boa noite, mui distinto confrade…

 

- “Ainda não está a porta aberta, mas encosta a pança a esta caneca de ferro, farta a sede porque a noite é nossa e do mundo…”

 

Apresento-me… – “Taberneiro Inocencio da Silva, e mais alem o Lazaro Alvares de avental escarlate e de cadeira em riste. Não vá um dos mais ávidos tentar a sorte pela janela que só está acostada” – …acendeu-se mesmo agora a lareira e cheira a roble gasto.

 

O Lázaro já depôs a dita e nela se assenta, enxugando a fronte com a mão. Ainda não abrimos e a coisa já aquece.

A noite vai ser grande, porque a nossa horda é dura de vida, e a intensidade da coisa vem nos olhos e joga-se a dinheiro – guardas e larápios, corsários e embarcadiços, cozinheiros de baiuca, estadistas e carteiristas, bardos e trovadores, o gitano e o burro, o artista e o abade, a meretriz e a velhota da venda, o marido e a patroa, sem farpela nem corpo, só alma.

 Alma de gente com uma mão cheia de contos e um punhado de aventuras para ofertar a quem beba ou simplesmente escute…

Nomes? bem uns chamam-se Inocêncio outros Lázaro, mas são gente, são a gente. Vem de longe mas são de perto, são do peito e perto do coração, e vem beber ao entendimento coisas cândidas como a mágoa e o vaticino da vida.

Sirvo a galhofa para companhia, pois o fardo é pesado e toda a ajuda é bem-vinda.

Que a fortuna nos bafeje, porque a demanda é casta e franca, tal cruzadas á Terra Santa. Santos venham por bem e Demónios…só para recitar narras de terras de além-mar e de além-vida, que inspirem a corja e atice o desejo de ventura.

 

Está na hora. Abra-se a porta e que o clamor das gargantas aqueça mais que as labaredas que agora dançam e extasiam…

 

- “Altos e mui distintos aliados, como posso honrar a vossa presença?…” –

 

...e assim começa...

 

 

Inocêncio da Silva

 

publicado por Inocêncio da Silva às 14:19

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